AME SUAS RUGAS pois há muito por viver (volume 2) PDF Imprimir E-mail
INSTITUTO AME REALIZA SEMINARIO E LANÇAMENTO
DO LIVRO POIS HÁ MUITO POR VIVER
 

A diretoria do Instituto Ame Suas Rugas realizou em 10 de novembro o evento de lançamento do segundo livro da coleção AME SUAS RUGAS. O seminário aconteceu no auditório Carlos Jardim da Fundação Cultural de Blumenau, das 13h30m às 18 horas e envolveu oito profissionais que escreveram os novos artigos da obra, coffe-break e sessão de autógrafos. A abertura do evento ficou sob responsabilidade do doutor professor da UNICAMP/SP, Sergio Cavalcante, que esteve em Blumenau para falar sobre as ultimas pesquisas desenvolvidas com idosos no país e sobre motivação.
 
Foto: Dr. Vilmar, Suleica, Juliane, Márcia, Sergio e Rosane no seminário de novembro/08
 
No livro de 2008 o Instituto reuniu um importante grupo de pesquisadores que trabalham no Brasil e em Portugal, que escreveram os temas em linguagem informal e acessível ao leitor envelhecente (40/60 anos) e idoso (acima dos 60). Conheça os temas dos capítulos e os co-autores:

•    Corpo, envelhecimento e suas atividades, por Sérgio Cavalcante (mestre em Atividade Física Adaptada pela Faculdade de Educação Física da UNICAMP e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP e é professor do Curso de pós-graduação em Geriatria e Gerontologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp)
•    Importância da saliva para a qualidade de vida, por Gustavo Branco Haertel (pós-graduado em Periodontia pela EAP/SC e Cirurgia Oral Menor pela Thum/SC, especialista em Saúde da Família pela Furb/SC, mestre em Periodontia pela SLMandic/Campinas) e Ana Carolina Sarti (pós-graduada em Dentística pela APCD/SP, Prótese associada à Periodontia pelo CPO/SP, Odontologia Estética pela Thum/SC e Cirurgia Oral Menor pela Thum/SC)
•    Com que calçado que eu vou? Gerontodesign de calçados, por Ana de Sousa (professora da disciplina Gerontodesign em micro e macro ambientes para Clientes Seniores do Curso de Pós-graduação em Organização e Gestão de Centros Gerontológicos na Escola Superior de Educação João de Deus, Lisboa/PT)
•    Saúde ocular na maturidade, por Vilmar Setter (especialista em oftalmologia pelo Hospital Universitário Gama Filho – RJ; e Fellow Retina e Vétreo Augen Klinik Koln – Alemanha é médico em Blumenau)
•    Exercite sua comunicação, por Ana Paula Pamplona da Silva Muller (Professora da Uniasselvi e fonoaudióloga clínica da Apoio Clínica Integrada)
•    Movimento é vida! por Cristiane Brandl e Eduardo Luiz Stapait (pós-graduadox em Fisioterapia Traumato-Ortopédica/FEPAR-PR ele é professor e coordenador do Curso de Pós Graduação em Fisioterapia Ortopedica/UNOESC)
•    Mantenha sua memória ativa, por Marcia Ghisi Mezadri (Mestre em Neurociências e Comportamento/UFSC e doutora em Morfologia/UNIFESP/EPM/SP e professora na UNIVALI desde 1990 na área de Neurofisiologia)
•    Os desafios da doença de Alzheimer, por Juliane Silveira Lima Hirt (psicóloga pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos/São Leopoldo/RS, mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, é professora da Furb e Uniasselvi)
•    Como o idoso encara a beleza na velhice? por Marilda S. Lopes,( mestre em Gerontologia, coordena a Pós Graduação em Gerontologia na Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória/ES) Rodrigo C. Arantes (mestre em Gerontologia pela PUC/SP e doutorando em Demografia pela UFMG) e Ruth G. C. Lopes (Doutora em Saúde Pública/USP e vice-coordenadora e docente do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia da PUC-SP)
•    Responsabilidade social no envelhecimento, por Suleica Iara Hagen (assistente social, pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos-FEPESE/UFSC, em Gerontologia -Furb e Educação Ambiental -Faculdade Senac. É idealizadora e vice presidente do Instituto Ame Suas Rugas).
•    Envelhecer, envelhecendo: necessidade de redes sociais de suporte, por Joaquim Parra Marujo (Doutor em Antropologia, Mestre em Clínica em Saúde Mental. É professor coordenador dos cursos de Gerontologia nas Universidade Lusófona, Escola Superior de Educação João de Deus e Instituto Superior de Ciências Educativas, todos de Portugal)   
•    Ciclos biológico da natureza, por Marcelo Rogério Machado (biólogo graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina, trabalhou com deficientes físicos e mentais e idosos em estado de abandono em SC)
•    Finitude humana: mitos e crenças sobre a morte e o morrer, por Rosane Magaly Martins (advogada, pós-Graduada em Gerontologia-FURB/SC, é escritora, presidente do Instituto Ame Suas Rugas e coordenadora da publicação Coleção AME)

O INSTITUTO, neste evento, contou com apoio da Fundação Cultural de Blumenau, Boa Vida, Clínica Apoio e Instituto Gene.

 

Instituições Parceiras do Instituto

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Notícias

texto para leitura

ALICE

Dedicado a minha avó, Alice, que era analfabeta. À professora Silana Dias e suas alunas da terceira idade. A todas as pessoas que ainda não desistiram.

 

É o primeiro dia de Alice na escola. Tem 72 anos. Olha tudo meio nervosa, achando que seu tempo passou, que aquilo tudo é bobagem da neta. Cumprimenta os outros, a professora a recebe com cuidado. Alice está diante de algo que nunca esteve: um quadro-negro, uma professora, cadernos, lápis, borracha e amigos de escola.

Alice nunca soube bem porque não aprendeu a ler nem escrever. A vida no cantão onde vivia, a escola muito longe, pai e mãe analfabetos, teve de trabalhar desde cedo, cuidando dos irmãos, da casa, dos bichos. A vida era simples e boa, depois Alice cresceu, conheceu Armindo, e se casou com ele, depois vieram os filhos e Alice foi ficando na sua vida de só cuidar dos outros e se esquecendo um pouco de si. Era feliz, sabia bem até onde a vida podia ir, e a vida andava como Deus queria, pelo menos era assim que Alice pensava, mas o tempo passou, a energia elétrica chegou ao seu lugar, a cidade pareceu ficar mais perto, coisas modernas vieram, chuveiro elétrico, máquina de lavar, televisão. Alice olhava aquilo tudo com certo medo, medo de não saber usar aqueles aparelhos e de ela mesma ser substituída por um deles, medo de não ser mais a cuidadora de tudo.

Algum tempo depois, o marido faleceu, os filhos já tinham vindo para a cidade e trouxeram a mãe. Ela não gostava do barulho daquilo tudo, “sou bicho do mato”, sempre dizia. A cidade lhe parecia muito grande, muito ligeira, e tinha todas essas letras, tudo tinha de ser lido. Era a tristeza de Alice: vir para a cidade e não conseguir ser livre, até para ir à igreja tinha certo receio. Lá no seu lugar sabia se virar, não dependia de ninguém para fazer as coisas, mas aqui, nesse mundão de concreto e asfalto, não pode ir a lugar nenhum sem ter de ficar pedindo informações, essa vergonha que só quem não sabe ler sabe dizer bem direitinho o que é. Aquilo tudo estava fazendo de Alice uma pessoa reclusa. Ficava muito mais tempo em casa do que o normal, quem percebeu melhor isso foi a neta mais velha. Com um pouco de conversa, descobriu que o “mal” da avó era não saber ler nem escrever, ficar feito barata tonta no meio das pessoas. A neta então providenciou tudo e matriculou Alice na escola.

Ao sair do primeiro dia de aula, a neta cá fora esperando, viu no rosto da avó uma iluminação diferente. Ela veio rindo, havia se instalado naquele corpo cansado de mulher uma esperança bem descansada, bem pronta para tudo de novo.

A cada avanço, um novo sorriso no rosto: as primeiras letras, sílabas, o nome, o primeiro texto lido com calma, a voz trêmula, os dedos acompanhando as linhas. Alice, aquela que sempre cuidou de tudo, cuida agora de si mesma com uma alegria gigante. Esses dias, o neto lhe perguntou naquele jeito adolescente de falar: “E aí vó, tá lendo tudo”? Alice, adolescentemente, respondeu: “Tô lendo tudo, tô lendo até o futuro”.

escrito por Rubens da Cunha, em setembro de 2009.

 

Eventos

INSTITUTO AME SUAS RUGAS é lançado nacionalmente com a presença do presidente do Instituto Mundial de Geriatria e Gerontologia (IAGG), Dr. Renato Maia Guimarães. Ele profere duas conferências (Blumenau dia 08 de agosto e Florianópolis dia 07) sobre o tema: Decida você como e quanto viver!

Dia 07 em Florianópolis (auditório da OAB/SC)
Dia 08 em Blumenau (Teatro Carlos Gomes)

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